Javier Milei: o presidente da Argentina se aproximou de Trump e garantiu apoio dos EUA (Gabriel Luengas/Europa Press/Getty Images)
Repórter
Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 18h24.
A inflação na Argentina acelerou mais do que o esperado pelo quarto mês consecutivo em dezembro, um desafio para o presidente Javier Milei que busca incentivar o investimento estrangeiro direto no país.
Segundo informações publicadas pela Bloomberg, os preços ao consumidor subiram 2,8% em dezembro, acima da estimativa mediana de 2,5% dos economistas. A inflação anual subiu para 31,5%, o menor índice de final de ano desde 2017, de acordo com dados divulgados pelo governo.
Outros componentes do Índice de Preços ao Consumidor também devem ter desacelerado em resposta às medidas contínuas do governo para conter os gastos. Estimativas apontam que a inflação deve ter desacelerado para 31% em dezembro em relação ao ano anterior, ante 31,4% em novembro.
De acordo com a Bloomberg, seria a menor taxa anual desde os 29,5% registrados em junho de 2018. A inflação atingiu 117,8% em dezembro de 2024, quando o governo Milei implementava seus primeiros passos de cortes agressivos nos gastos públicos.
As importações de bens de baixo custo da China e do Brasil aumentaram acentuadamente depois que Milei flexibilizou as restrições comerciais. Em novembro, o governo assinou um acordo tarifário com os Estados Unidos. Mais liberalização poderá ocorrer após a negociação entre União Europeia e o Mercosul - tudo parece estar caminhando para um acerto entre os blocos.
O aumento dos preços ao consumidor também foi moderado em razão da valorização do peso no início de 2025, combinada com reajustes salariais menores.
Para o final de 2026, estimativa de analistas aponta para uma taxa de inflação anual de 20,1%, a menor em quase 20 anos.
Em outubro, o Instituto Nacional de Estatística e Desenvolvimento Econômico (INEC) anunciou a implementação de uma nova metodologia para o IPC, a partir dos dados de janeiro de 2026, previstos para o próximo mês.