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Investida de Jeff Bezos, Stark Bank cresceu com os grandes. Agora quer conquistar os pequenos

Banco movimentou mais de R$ 1 trilhão em 12 meses e agora mira até 50 mil contas em 2027, com expansão para empresas de menor porte

Rafael Stark, fundador do StarkBank (Divulgação/Divulgação)
Rafael Stark, fundador do StarkBank (Divulgação/Divulgação)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 30 de outubro de 2026 às 09:00.

RESUMO +

A fintech brasileira Stark Bank vai atender empresas com faturamento anual a partir de R$ 1 milhão e pretende elevar sua base de 1.700 contas ativas para até 50 mil até o fim de 2027. A instituição, que tem Jeff Bezos entre os investidores, hoje concentra sua atuação em companhias que faturam entre R$ 100 milhões e R$ 1 bilhão.

O Stark Bank, fintech brasileira que tem Jeff Bezos, fundador da Amazon, entre seus investidores, prepara uma mudança de estratégia para acelerar o crescimento. Depois de construir sua operação atendendo empresas de médio e grande porte, o banco vai avançar sobre clientes menores, em um movimento que pode multiplicar por quase 30 sua base de contas ativas até o fim de 2027.

A instituição, que hoje concentra sua atuação em companhias com faturamento anual entre R$ 100 milhões e R$ 1 bilhão, passará a atender também empresas que faturam a partir de R$ 1 milhão. A mudança amplia consideravelmente o mercado potencial do Stark Bank e marca a entrada em um segmento no qual a escala depende menos de grandes contratos e mais da capacidade de atrair milhares de clientes. “Vamos começar a atacar empresas de até R$ 1 milhão de faturamento. Abre muito o mercado”, afirma Rafael Stark, fundador e CEO do banco, em entrevista exclusiva ao EXAME Insight.

Atualmente, o Stark Bank tem cerca de 1 700 contas ativas. A expectativa é ultrapassar 10 mil até o fim do próximo ano, podendo chegar a 20 mil ou mesmo 50 mil, nas contas de Stark. O cenário mais otimista representaria uma expansão de quase 30 vezes sobre a base atual.

A guinada acontece depois de um período de forte crescimento. O grupo Stark, que reúne o Stark Bank e a Stark Infra, plataforma de infraestrutura financeira para bancos e fintechs, ultrapassou R$ 1 trilhão em volume transacionado nos últimos 12 meses. Apenas no primeiro semestre de 2026, foram R$ 649,8 bilhões, quase três vezes os R$ 220,8 bilhões movimentados no mesmo período de 2025.

De grandes empresas para milhares de clientes

Fundado em 2018, em São Paulo, o Stark Bank cresceu oferecendo tecnologia para a gestão financeira de empresas. Seu principal negócio envolve soluções de pagamentos, recebimentos, transferências e gestão de caixa, além de produtos como cartões corporativos, adquirência e antecipação de recebíveis.

A estratégia privilegiava empresas capazes de concentrar grandes volumes financeiros na plataforma. Para atender esses clientes, o banco desenvolveu soluções adaptadas às necessidades de cada operação, uma abordagem que ajudou a conquistar companhias maiores, mas limitava a velocidade de expansão da base. “Nosso foco sempre foi trazer volume para dentro de casa e fazer coisas tailor-made, o que acaba dificultando a escalabilidade”, afirma Stark.

A avaliação agora é que a tecnologia desenvolvida para atender grandes empresas pode ser oferecida a um público mais amplo, com uma experiência de uso mais simples e processos menos dependentes de soluções individualizadas.

A mudança não significa que o Stark Bank passará a disputar diretamente o consumidor pessoa física com bancos digitais como Nubank e Inter. O chamado varejo, nesse caso, é o mercado de empresas de menor porte, que precisam de serviços financeiros semelhantes aos oferecidos às grandes companhias, mas em uma estrutura mais padronizada.

Para executar a estratégia, o banco está redesenhando seus aplicativos e o internet banking. Também está estruturando uma equipe de growth, voltada à aquisição de clientes por canais digitais, e reformulando sua comunicação para alcançar um público que até agora não fazia parte de seu foco comercial. “Chegou uma fase em que a gente é muito conhecido pela tecnologia e agora quer ser conhecido também pela experiência do usuário, pela facilidade e simplicidade de uso”, diz Stark.

O banco que atraiu Jeff Bezos

O Stark Bank ganhou projeção no mercado de tecnologia financeira ao atrair investidores internacionais, entre eles a Bezos Expeditions, veículo de investimentos pessoais de Jeff Bezos.

Desde a fundação, a companhia realizou cinco rodadas de investimento, que somaram US$ 61 milhões. A entrada de Bezos colocou o Stark Bank no grupo de startups brasileiras que conseguiram atrair capital de alguns dos investidores mais conhecidos do setor de tecnologia.

Apesar da presença de investidores externos, Rafael afirma que o banco não está buscando uma nova rodada de captação para financiar a expansão. Segundo ele, a instituição dispõe de liquidez suficiente para sustentar seus planos.

O crescimento também veio acompanhado de uma ampliação dos produtos. A oferta, inicialmente concentrada na gestão de caixa das empresas, passou a incluir cartões corporativos, adquirência, antecipação de recebíveis, domicílio bancário e serviços relacionados a criptoativos.

Na Stark Infra, outra frente do grupo, a companhia fornece infraestrutura tecnológica utilizada por instituições financeiras para oferecer seus próprios serviços. Segundo Rafael, a plataforma já atende cerca de 40 instituições reguladas.

A combinação das duas operações ajudou a elevar o volume financeiro processado pelo grupo. Em 2025, foram aproximadamente R$ 600 bilhões. No primeiro semestre deste ano, o volume já superou o registrado em todo o primeiro semestre anterior em R$ 429 bilhões.

A base ativa de clientes também cresceu cerca de 90% desde o fim de 2024, segundo dados da companhia.

Mais escala e uma nova licença

O avanço operacional foi acompanhado por uma melhora na avaliação de risco do grupo. A Fitch atribuiu rating A(bra), com perspectiva estável, destacando a capitalização, a liquidez, o amadurecimento da governança e a redução da concentração de clientes. Em abril de 2026, o índice de capital do Stark Bank era de 20,5%, quase o dobro do mínimo regulatório de 10,5%. Segundo a companhia, o grupo não possui dívidas.

A diversificação da base é um dos pontos importantes da nova estratégia. Como o banco atua principalmente no atacado, sua operação depende de um número relativamente pequeno de clientes que movimentam grandes volumes. A entrada em empresas menores pode reduzir essa concentração, embora exija uma estrutura comercial e de atendimento diferente. O Stark Bank também aguarda uma autorização do Banco Central para operar como banco múltiplo. A licença poderá abrir espaço para ampliar a atuação financeira da instituição.

A expansão ocorre em um momento de maior pressão regulatória sobre as fintechs. O Banco Central vem endurecendo exigências de capital e fiscalização, movimento que, na avaliação de Stark, pode acelerar a consolidação do setor. “Vai ter muita gente sendo vendida, porque todo mundo achou que fazer uma fintech era só para pagar Pix barato”, afirma.

O executivo diz receber propostas de fusões e aquisições semanalmente, mas não considera a compra de concorrentes uma prioridade. Eventuais operações teriam de acrescentar produtos, equipes ou acesso a mercados que o grupo ainda não atende. “Comprar alguma coisa que eu já faço não faz sentido. Teria que complementar a oferta”, afirma. Por enquanto, a prioridade é crescer organicamente. 

'Perguntas frequentes'

Qual é a nova estratégia do Stark Bank? +

O Stark Bank passará a atender empresas com faturamento anual a partir de R$ 1 milhão. Hoje, a fintech brasileira concentra sua atuação em companhias que faturam entre R$ 100 milhões e R$ 1 bilhão por ano.

Quantos clientes o Stark Bank pretende ter até o fim de 2027? +

O Stark Bank pretende superar 10 mil contas ativas e pode chegar a 20 mil ou até 50 mil até o fim de 2027, segundo Rafael Stark, fundador e CEO da instituição. O cenário mais otimista representa uma expansão de quase 30 vezes sobre as cerca de 1.700 contas atuais.

Por que o Stark Bank decidiu atender empresas menores? +

O Stark Bank avalia que a tecnologia criada para grandes empresas pode ser oferecida a um público mais amplo, com processos padronizados e uma experiência mais simples. Segundo Rafael Stark, as soluções personalizadas adotadas até agora dificultam a escalabilidade.

Quanto o grupo Stark movimentou nos últimos 12 meses? +

O grupo Stark, formado pelo Stark Bank e pela plataforma de infraestrutura financeira Stark Infra, superou R$ 1 trilhão em volume transacionado nos últimos 12 meses. Apenas no primeiro semestre de 2026, foram R$ 649,8 bilhões, ante R$ 220,8 bilhões no mesmo período de 2025.

Como o Stark Bank pretende atrair novos clientes? +

O Stark Bank está redesenhando seus aplicativos e o internet banking, estruturando uma equipe de growth para aquisição por canais digitais e reformulando sua comunicação. Segundo Rafael Stark, a instituição quer ser reconhecida também pela facilidade e simplicidade de uso.

O Stark Bank pretende captar novos investimentos para financiar a expansão? +

O Stark Bank não busca uma nova rodada de investimento, segundo Rafael Stark, porque dispõe de liquidez suficiente para sustentar os planos de expansão. Desde a fundação, a instituição realizou cinco rodadas que somaram US$ 61 milhões e atraiu investidores como a Bezos Expeditions, veículo de investimentos pessoais de Jeff Bezos.

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Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pela redação de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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