Logo Exame.com
Empresas

Hilton prepara expansão para dobrar no Brasil até 2030

Com cerca de 30 projetos contratados, rede aposta no segmento intermediário para ganhar escala e trabalha para trazer marcas de luxo ao país

Canopy by Hilton em São Paulo  (Divulgação/Divulgação)
Canopy by Hilton em São Paulo (Divulgação/Divulgação)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 3 de novembro de 2026 às 07:00.

RESUMO +

A rede hoteleira Hilton tem cerca de 30 projetos contratados para dobrar sua operação no Brasil até 2030, afirma Leonardo Lido, diretor sênior de Desenvolvimento da companhia no país. A meta inclui chegar a 30 hotéis em funcionamento até o primeiro trimestre de 2027, com foco em marcas intermediárias, conversões, resorts e futuras bandeiras de luxo.

A Hilton tem cerca de 30 projetos contratados para dobrar sua operação no Brasil até 2030. A rede, que espera alcançar 30 hotéis em funcionamento até o primeiro trimestre de 2027, pretende crescer em capitais e cidades do interior, principalmente com bandeiras de categoria intermediária. Em paralelo, trabalha para trazer ao país marcas de luxo, como Waldorf Astoria e Conrad, e ampliar sua presença em resorts. “O nosso pipeline já está contratado para dobrar isso até 2030”, afirma Leonardo Lido, diretor sênior de Desenvolvimento para o Brasil da Hilton, em entrevista exclusiva ao EXAME Insight. Para acompanhar esse crescimento, a companhia reforçou suas equipes locais de desenvolvimento de projetos e suporte aos proprietários.

O plano brasileiro acompanha a expansão global da rede. No terceiro trimestre de 2026, a Hilton registrou lucro líquido de US$ 536 milhões e Ebitda ajustado de US$ 1,06 bilhão. A receita por quarto disponível, indicador que combina ocupação e valor das diárias, cresceu 5,8% em bases comparáveis e sem o efeito das variações cambiais. A carteira mundial de desenvolvimento chegou a 543,1 mil quartos, alta de 5% em relação a setembro de 2025.

No Brasil, o investimento nos imóveis fica com os parceiros. A Hilton fornece a marca e, em parte dos empreendimentos, também administra a operação. Os proprietários incluem famílias, empresários regionais e fundos internacionais. A companhia não financia diretamente a construção.

Para ganhar escala, a aposta está principalmente em Hilton Garden Inn, Hampton by Hilton e Tru by Hilton. São marcas com serviços mais restritos e projetos padronizados, que permitem atender tanto cidades menores quanto grandes centros. A Tru, por exemplo, tem dois projetos em São Paulo.

Atualmente, a Hilton Garden Inn conta com sete operações no país. A Hampton tem duas, com outras duas previstas para serem anunciadas ainda este ano. É nesse segmento que Lido identifica o maior espaço para ampliar o número de hotéis.

Conversão como chave

A conversão de empreendimentos existentes também tem peso na estratégia: quase metade da rede brasileira veio desse tipo de operação, segundo o executivo. Além de hotéis que mudam de bandeira ou de posicionamento, a Hilton considera a transformação de edifícios residenciais e de outros usos em unidades hoteleiras.

No luxo, o avanço depende de oportunidades mais específicas. A companhia ainda não opera suas bandeiras dessa categoria no Brasil e busca mercados capazes de sustentar diárias que remunerem o investimento exigido. Questionado sobre a chegada da Waldorf Astoria, Lido afirma: “Estamos trabalhando e em breve devemos ter novidades”.

Outra frente são os resorts, inclusive no modelo all inclusive. O Nordeste concentra parte do interesse pelas condições climáticas favoráveis ao turismo ao longo do ano. A rede também vê oportunidades em hotéis que combinem lazer e eventos em outras regiões, como o interior paulista.

Para atrair investidores, a Hilton apresenta seu programa de fidelidade como uma ferramenta para gerar demanda e reduzir o custo de distribuição. Segundo Lido, os participantes do Hilton Honors são estimulados a reservar diretamente com a rede, diminuindo a dependência dos hotéis de intermediários. O programa já reúne mais de 270 milhões de membros no mundo, segundo o comunicado dos resultados trimestrais.

A companhia também está ampliando as possibilidades de uso desses pontos. Em outubro, lançou o Pay with Points, que permite a clientes das categorias Silver, Gold, Diamond e Diamond Reserve abater despesas elegíveis da conta pelo aplicativo, durante o checkout digital. A ferramenta começou em 150 hotéis nos Estados Unidos, com previsão de alcançar mais de 800 até dezembro e mais de 6 mil unidades participantes nos Estados Unidos e no Canadá no início de 2027. O anúncio não inclui uma previsão para o Brasil.

A novidade reforça o papel da fidelidade na disputa pelo hóspede. Em pesquisa da própria Hilton, 70% dos membros consultados disseram ter interesse em usar pontos em compras dentro dos hotéis. Aproximadamente metade afirmou que essa possibilidade poderia aumentar sua propensão a se hospedar ou reservar com a rede.

No mercado brasileiro, Lido atribui a maior atratividade da hotelaria ao equilíbrio entre oferta e demanda depois de períodos de excesso de quartos em algumas praças. Na avaliação dele, o aumento das viagens e a procura por lazer e eventos abriram espaço para novos empreendimentos.

A expansão exige, porém, adaptação às diferenças regionais. A Hilton reforçou no Brasil profissionais de arquitetura, gerenciamento de projetos, interiores, precificação e suporte às operações para se aproximar dos investidores e franqueados. “O Brasil tem suas características de língua, a diversidade cultural do território, a maneira de se desenvolver negócios, que muda muito de região para região”, diz Lido. Para ele, o mercado doméstico já sustenta o plano de crescimento, enquanto a atração de mais turistas estrangeiros representa uma oportunidade adicional.

'Perguntas frequentes'

Quantos hotéis a Hilton pretende ter no Brasil? +

A Hilton espera alcançar 30 hotéis em funcionamento no Brasil até o primeiro trimestre de 2027. Segundo Leonardo Lido, a rede já tem cerca de 30 projetos contratados para dobrar sua operação no país até 2030.

Quem financia a construção dos novos hotéis da Hilton no Brasil? +

Os parceiros imobiliários financiam a construção dos hotéis, enquanto a Hilton fornece a marca e pode administrar a operação. A companhia não investe diretamente na construção dos imóveis.

Quais marcas devem liderar a expansão da Hilton no Brasil? +

Hilton Garden Inn, Hampton by Hilton e Tru by Hilton devem liderar a expansão, principalmente em cidades menores e grandes centros. A Hilton Garden Inn tem sete operações no país, a Hampton possui duas e a Tru conta com dois projetos em São Paulo.

Qual é o papel das conversões na expansão da Hilton? +

As conversões respondem por quase metade da rede brasileira da Hilton, segundo Leonardo Lido. A estratégia inclui hotéis que mudam de bandeira ou posicionamento e a transformação de edifícios residenciais ou de outros usos em unidades hoteleiras.

A Hilton pretende trazer hotéis de luxo e resorts ao Brasil? +

Sim. A Hilton trabalha para introduzir marcas de luxo como Waldorf Astoria e Conrad no Brasil e avalia resorts, inclusive no modelo all inclusive, com interesse no Nordeste e em empreendimentos de lazer e eventos em outras regiões.

Como o Hilton Honors ajuda a atrair investidores e hóspedes? +

Segundo Leonardo Lido, o Hilton Honors estimula reservas diretas e reduz a dependência dos hotéis de intermediários. O programa reúne mais de 270 milhões de membros no mundo, de acordo com o comunicado dos resultados trimestrais da Hilton.

Para quem decide. Por quem decide.

Saiba antes. Receba o Insight no seu email

Li e concordo com os Termos de Uso e Política de Privacidade

Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pela redação de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico. Contato em pedro-b.gil@exame.com

Continua após a publicidade
Crédito imobiliário nos EUA: como a alta de juros está reconfigurando o mercado

Crédito imobiliário nos EUA: como a alta de juros está reconfigurando o mercado

Everblue planeja R$ 10 bilhões em crédito com 'fábrica de fundos' para empresas

Everblue planeja R$ 10 bilhões em crédito com 'fábrica de fundos' para empresas