Logo Exame.com
ExclusivoEntretenimento

EXCLUSIVO: Com US$ 2 bi para a América Latina, Prime Video quer ser mais do que 'só um streaming'

Kelly Day, VP global da plataforma da Amazon, defende o posicionamento baseado em ecossistema de entretenimento, fala sobre concorrência e a reinvenção do formato

Kelly Day, VP global da plataforma da Amazon: "queremos ser um ecossistema de entretenimento" (Crédito: Prime Video/EXAME)
Kelly Day, VP global da plataforma da Amazon: "queremos ser um ecossistema de entretenimento" (Crédito: Prime Video/EXAME)
Luiz Gustavo Pacete

Luiz Gustavo Pacete

Consultor de Projetos Especiais

Publicado em 24 de agosto de 2026 às 10:00.

Última atualização em 24 de agosto de 2026 às 10:53.

Ao abrir o primeiro evento regional do Prime Video, plataforma de streaming da Amazon, na Cidade do México, na semana passada, Kelly Day, vice-presidente global da companhia, resumiu a estratégia em uma frase: “Não nos vemos mais como um streaming, e sim como um ecossistema de entretenimento”.

A declaração ajuda a colocar em perspectiva o anúncio de US$ 2 bilhões em investimentos em conteúdo na América Latina entre 2027 e 2030, com o Brasil entre os mercados prioritários. Mais do que aumentar a produção, o Prime Video quer ampliar seu espaço na cadeia de entretenimento em um mercado no qual a disputa pelo tempo — e pelo bolso — do assinante ficou cada vez mais acirrada.

Os recursos serão destinados a produções locais inéditas, aquisição de títulos regionais e direitos de transmissão esportiva em mercados como Brasil, México, Argentina, Colômbia e Chile. A estratégia combina conteúdo global com produções e eventos capazes de atrair audiências locais.

“Hoje, nosso ecossistema, com fidelidade e benefícios, nos permite ser muito mais do que um produtor e distribuidor de conteúdo, mas também investir cada vez mais em conveniência e novos tipos de serviços aos assinantes”, afirmou Day.

Além do streaming

Uma das apostas para ampliar esse ecossistema é transformar o Prime Video cada vez mais em um agregador de entretenimento. Dentro do aplicativo, assinantes podem contratar canais parceiros e comprar ou alugar títulos individualmente, concentrando em uma única plataforma conteúdos que antes exigiriam diferentes serviços.

O esporte ocupa outra frente relevante dessa expansão. No Brasil, a companhia tem entre seus ativos os direitos de transmissão da Copa do Brasil, uma estratégia que ajuda a trazer audiência recorrente para além do calendário tradicional de lançamentos de filmes e séries.

“Histórias genuinamente locais e direitos esportivos regionais, como a transmissão da Copa do Brasil, importam profundamente para o público. Por isso, buscamos unir grandes lançamentos globais a uma forte oferta de conteúdo local e regional”, afirmou a executiva.

Em entrevista exclusiva ao EXAME Insight, Day detalhou os planos para a região e a visão de longo prazo de uma plataforma que já reúne mais de 200 milhões de assinantes globalmente. O movimento deixa claro que, para o Prime Video, a próxima etapa da guerra do streaming não será disputada apenas com mais filmes e séries: a ambição é se tornar a porta de entrada para diferentes formas de entretenimento dentro de um único ambiente.

EXAME: Qual o maior desafio em direcionar esses US$ 2 bi em investimentos?

Kelly Day: O maior desafio em um investimento desse porte não é o volume de recursos, mas encontrar e desenvolver histórias locais genuínas com apelo universal. A complexidade está em descobrir novos talentos, garantir narrativas autênticas em mercados diferentes e escalar essa produção mantendo alta qualidade. Nós equilibramos os aportes entre aquisições de filmes e séries originais, produções locais e direitos de esportes, que têm uma capacidade única de engajar comunidades de fãs. Embora cada frente tenha suas particularidades, a combinação de todas elas é o que cria uma oferta completa e emocionante para os assinantes.

EXAME: Quando você afirma que o Prime Video não é mais uma plataforma de streaming, e sim um ecossistema de entretenimento, o que isso significa na prática?

Kelly Day: Significa que deixamos de ser apenas um catálogo próprio para funcionar como uma central única de entretenimento. O objetivo é concentrar tudo o que o consumidor quer ver em um só lugar, combinando produções originais, canais parceiros, serviços concorrentes e transmissões esportivas ao vivo, como o Premiere no Brasil, o que elimina a necessidade de alternar entre aplicativos.

"Nossas produções internacionais ressoam muito bem com as audiências da América Latina e do Brasil, no entanto, acreditamos que apenas o conteúdo global não é suficiente para satisfazer os desejos dos clientes"

EXAME: Esse seria um modelo necessário para enfrentar a alta concorrência do setor?

Kelly Day: Nosso modelo funciona integrado ao ecossistema da assinatura Prime, que reúne frete grátis, música e vídeo em um único pacote. Além do conteúdo incluído no plano, atuamos como um agregador que permite alugar lançamentos recentes ou assinar plataformas parceiras, como o Paramount+, simplificando a experiência de consumo.

EXAME: Qual é o desafio ao equilibrar a produção global e a local?

Kelly Day: Nossas produções internacionais ressoam muito bem com as audiências da América Latina e do Brasil. No entanto, acreditamos que apenas o conteúdo global não é suficiente para satisfazer os desejos dos clientes. Histórias genuinamente locais e direitos esportivos regionais, como a transmissão da Copa do Brasil, importam profundamente para o público. Por isso, buscamos unir grandes lançamentos globais a uma forte oferta de conteúdo local e regional.

"Histórias genuinamente locais e direitos esportivos regionais, como a transmissão da Copa do Brasil, importam profundamente para o público"

EXAME: Em um cenário complexo marcado pelo avanço da inteligência artificial, qual é a importância de continuar investindo em pessoas e em narrativas humanas?

Kelly Day: Existe uma oportunidade incrível com a inteligência artificial, e já utilizamos essas ferramentas para acelerar processos, analisar roteiros e enriquecer a experiência do cliente. Porém, fundamentalmente, nós estamos no negócio da narrativa humana. Valorizamos imensamente os talentos artísticos, os parceiros de produção e as ideias originais que eles trazem para a mesa. No fim das contas, decidimos produzir um filme ou uma série porque encontramos uma perspectiva única de contar uma história com a qual o nosso público realmente se conecta.

Para quem decide. Por quem decide.

Saiba antes. Receba o Insight no seu email

Li e concordo com os Termos de Uso e Política de Privacidade

Luiz Gustavo Pacete

Luiz Gustavo Pacete

Consultor de Projetos Especiais

Pacete é jornalista, LinkedIn Top Voices, curador de marketing, tecnologia e inovação do Rio2C e SP2B, além de Consultor de Inovação, Conteúdo e Projetos Especiais da Exame.

Continua após a publicidade
Em disputa com ChatGPT, Google abre nova frente de publicidade com anúncios em IA no Brasil

Em disputa com ChatGPT, Google abre nova frente de publicidade com anúncios em IA no Brasil

Enquanto Apple e Amazon disputam casas inteligentes, nem as geladeiras escapam de ciberataques

Enquanto Apple e Amazon disputam casas inteligentes, nem as geladeiras escapam de ciberataques