Com MSC, Portonave prepara para atracar R$ 2 bilhões em investimentos
Terminal de Navegantes amplia capacidade para receber navios maiores e movimentar até 2 milhões de contêineres por ano, enquanto acompanha os desdobramentos da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos


Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHT
Publicado em 23 de julho de 2026 às 16:28.
Última atualização em 24 de julho de 2026 às 14:52.
A Portonave, controladora do terminal de contêineres de Navegantes (SC), prepara-se para atracar um robusto plano de investimento de ampliação e modernização do espaço. Iniciado em 2024, o projeto, com custo total estimado em R$ 2 bilhões, deve ser finalizado ainda este ano.
Não falta muito. A rodada mais recente, estimada em cerca de R$ 60 milhões, foi empenhada nas últimas semanas. O dinheiro serviu para a compra de tratores de terminal e empilhadeiras de contêineres. "O Brasil ainda carece de capacidade para movimentação de contêineres", lamenta Osmari de Castilho Ribas, superintendente da Portonave. "Mas o mercado, em Santa Catarina, é competitivo, com bom escoamento de madeira, além de carnes de frango e porco".
Investimento prático
O plano é ambicioso. Controlada pelo grupo suíço Terminal Investment Limited (TiL), braço de terminais da MSC (Mediterranean Shipping Company), uma das maiores empresas de navegação do mundo, a Portonave está de olho em navios maiores. Com as obras finalizadas, o terminal, que tem capacidade de movimentar 1,5 milhão de contêineres, vai conseguir receber até 2 milhões de contêineres por ano e receber embarcações de até 400 metros. As obras são responsabilidade da construtora belga Besix, conhecida pela construção do prédio Burj Khalifa, o maior do mundo, em Dubai.
Os investimentos acompanham uma movimentação estrutural na região. A MSC quer estar preparada para a concessão do canal de Itajaí, que prevê a operação e manutenção do canal de acesso ao complexo portuário de mesmo nome, composto pelos terminais de Itajaí, Navegantes e Itapoá. A previsão é que o leilão ocorra nos próximos meses e a MSC avalia participar da disputa.
Além dos acessos aquaviários, a Portonave também aguarda a concessão dos acessos rodoviários ao porto. As rodovias BR 101, em renegociação com a atual concessionária Arteris, e a BR 470, aberta à concorrência entre diferentes operadores, são consideradas insuficientes para dar conta da demanda da região. Os leilões ainda não têm data para ocorrer.
Efeito Trump
Nem mesmo o tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros alterou os planos da Portonave.
No início do mês, Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre as importações do Brasil, prevista para entrar em vigor em agosto. A medida corresponde a uma sobretaxa de 40%, somada à tarifa geral de 10% já aplicada aos produtos brasileiros. O governo brasileiro, por sua vez, sinalizou que poderá reagir com base na Lei da Reciprocidade Econômica, que autoriza a adoção de contramedidas comerciais.
Embora a escalada da disputa comercial possa reduzir o volume de embarques para o mercado americano e pressionar a movimentação dos portos brasileiros, a Portonave afirma que manterá seu cronograma de investimentos. "O assunto preocupa, mas seguimos trabalhando para melhorar nossa produtividade", diz Castilho. "Nosso acionista orientou que seguíssemos firmes com o plano de expansão. Em algum momento, essa situação deve se estabilizar."
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Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHTJornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com
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